sexta-feira, 25 de julho de 2008

PV vai ao STF contra regularização de terras ilegais na Amazônia"

Ao conceder 1,5 mil hectares para uma pessoa, você já dá autorização para que ele desmate legalmente 20% da área, sem contar o desmatamento ilegal já praticado", criticou o líder do PV na Câmara, Sarney Filho

Liderança do PV na Câmara dos Deputados

Na última quinta-feira (17) o Partido Verde foi ao Supremo Tribunal Federal para dar entrada em Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a Medida Provisória 422/08, que amplia a área na Amazônia Legal concedida a terceiros de forma direta, sem licitação. O limite passou de 500 para 1,5 mil hectares, de acordo com o texto aprovado pelo Senado na última quarta-feira (10).

Ambientalistas avaliam que a medida, na prática, legaliza a posse dos grandes grileiros da Amazônia e vai resultar no aumento da devastação. "Ao conceder 1,5 mil hectares para uma pessoa, você já dá autorização para que ele desmate legalmente 20% da área, sem contar o desmatamento ilegal já praticado", criticou o líder do PV na Câmara, Sarney Filho (MA).

A ação do PV sustenta que a Medida Provisória ofende princípios constitucionais de defesa do meio ambiente, além de violar acordos internacionais dos quais o Brasil faz parte, entre eles a Convenção das Nações Unidas e a Convenção da Diversidade Biológica assinadas durante a Eco-92, no Rio de Janeiro. O partido argumente ainda que a matéria não atende os critérios de urgência e relevância obrigatórios às medidas provisórias e que a ausência de licitação na concessão de terras ofende os princípios de moralidade e impessoalidade que regem a Administração Pública.

A MP foi batizada pelo Greenpeace de "Programa de Aceleração da Grilagem", e gerou polêmica no Senado entre a ex-ministra do Meio Ambiente, senadora Marina Silva (PT-AC) e o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR). A senadora afirmou que a proposta - tida como um dos motivos de sua saída do Ministério - é uma privatização das florestas públicas.

Em maio, o Greenpeace e outras organizações ambientais entregaram aos presidentes do Senado e da Câmara um abaixo-assinado contrário à aprovação da MP. "Aquele que ocupou ilegalmente a terra pública - não os pequenos posseiros, mas grandes fazendeiros - vão ser premiados com a legalização de seus grilos", diz o manifesto.

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